01/12/2022

Encontro debate a importância dos cuidados com a saúde do homem

Evento promovido pelo Coren Pernambuco encerrou atividades do Novembro Azul

Discutir saúde do homem em um país predominantemente feminino é discutir minoria“, afirma Presidente do Coren-PE, durante mesa de abertura do 2º EPESH

O Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) promoveu nesta terça-feira (29), no auditório do Banco do Nordeste, no Recife, o 2º Encontro Pernambucano de Enfermagem em Saúde do Homem (EPESH). O evento marcou o encerramento do ciclo de atividades voltadas ao Novembro Azul, mês que faz referência a importância dos cuidados com a saúde masculina. Na mesa de abertura, o Presidente do Coren-PE, Dr. Gilmar Júnior, destacou a necessidade de debater o tema central e a relevância da discussão no âmbito da saúde pública.

“Eu lembro que na época da construção da política (nacional de saúde do homem), os homens só iam para um hospital ou serviço de saúde em três situações: a 1ª se tivesse morrendo; a 2ª se a mulher, seja ela mãe ou esposa, conduzisse esse homem para o serviço hospitalar e; a 3ª se esse serviço se adaptasse a esse indivíduo e ele pudesse ir fora do seu horário de trabalho. O homem preferia trabalhar do que ir a um serviço de saúde. Nós ainda temos a mulher como principal cliente do Sistema Único de Saúde, o que obviamente deixa a mulher muito mais fragilizada pelo excesso de responsabilidade no âmbito do SUS e, ainda sim, nós temos um número de mortalidade maior de homens em todas as faixas etárias. Então, o que a gente está discutindo é sobre a saúde do sexo frágil. O sexo frágil é o sexo masculino. E discutir saúde do homem em um país predominantemente feminino é discutir minoria”, ressaltou Dr. Gilmar.

Também presente na mesa de abertura do encontro, o Conselheiro do Coren-PE e coordenador da comissão de eventos do Conselho, Dr. Gabriel Gomes, lembrou a necessidade de o tema ser discutido em todos os períodos do ano, não somente durante o mês de novembro. “Trabalhar a saúde do homem, hoje, constitui-se num grande desafio. Nós precisamos criar mecanismos para que cada vez mais possamos avançar no tocante a essa temática. E eu penso que o encontro é mais uma possibilidade de vislumbrar esse tema para além do Novembro Azul. A gente precisa pensar na saúde do homem em todas as situações e momentos, considerando também que ele pode estar em algum contexto de vulnerabilidade. A enfermagem é predominantemente feminina, mas os homens cada vez mais têm adentrado nessa profissão. Eu acredito que é um desafio para nós enfermeiros, cada vez mais, trabalhar essa temática para que possamos impactar de maneira positiva os indicadores de saúde”.

Evento atraiu profissionais de várias unidades de saúde do estado

Encontro atraiu profissionais de várias unidades de saúde do estado

A primeira palestra do dia foi ministrada pelo enfermeiro sanitarista, Dr. Helton Bruno Feitosa, que apresentou detalhes sobre a “Política Nacional de Atenção Integral à saúde do homem e suas intersecções com a práxis da Enfermagem”. Especialista em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Dr. Bruno mostrou, por meio dados do IBGE e do Ministério da Saúde, que, mesmo diante do incentivo dado por meio das políticas e ações de promoção à saúde, a procura dos homens aos serviços hospitalares ainda é baixa na comparação com as mulheres. Ele listou ainda vários pontos que tornam os homens mais vulneráveis quanto a mortalidade, como a baixa procura ao sistema de saúde, o uso de álcool e outras drogas, o envolvimento com situações de violência, entre outros.
A discussão sobre a importância da participação do homem no período gestacional da companheira também teve espaço no 2º EPESH. O enfermeiro obstetra Manoel Adauto Monteiro instigou a plateia com questionamentos contundentes sobre o papel do homem durante todo o processo de gestação até o puerpério. A palestra intitulada “Pré-natal do parceiro: concepções, práticas e desafios para a Enfermagem no âmbito do SUS” apresentou dados e estudos para conscientizar o público masculino da necessidade do envolvimento do homem em toda a fase gestacional e como isso pode interferir na relação da mulher com a bebê.

No período da tarde, o Diretor de Formação Política do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco e mestre em enfermagem, Dr. João Rildamar de Andrade, abordou o tema “Masculinidade e autocuidado: implicações na saúde do homem”, onde apresentou detalhes sobre a necessidade de ampliar o debate quanto a saúde masculina e as implicações sociais. O encontro foi finalizado com tema central do Novembro Azul, a importância da desmistificação do câncer de próstata, o segundo tipo de tumor que mais mata homens no país, ficando atrás apenas do câncer de pulmão, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). O Coordenador da Gestão da Clínica na Diretora Geral de Assistência Integral a Saúde da SES-PE, Dr. Jonatas Gomes Barbosa, apresentou dados nacionais e estaduais da doença, mostrando que o preconceito ainda é o principal obstáculo na prevenção.

“Nós precisamos cuidar do homem na mesma proporção que cuidados das mulheres e das crianças. É necessário criar políticas públicas múltiplas, que atendam os homens héteros, gays, trans, trabalhadores do campo e da cidade, negros, pardos e indígenas. Então, precisamos pensar na saúde do homem de forma global. Para aqueles que acessam muito mais tardiamente o serviço de saúde, tanto para o diagnóstico, quanto para o tratamento de qualquer patologia. Então é um desafio para todos nós e é um orgulho saber que, hoje, o Coren-PE consegue trazer um evento tão plural, onde nós podemos discutir essas políticas com muita solidez e com muita inteligência para fortalecer a saúde do homem baseados no trabalho técnico e científico dos profissionais de enfermagem”, concluiu o presidente do Coren-PE, Dr. Gilmar Júnior.

 

Fotos: Fábio Cadengue


Fonte: Ascom: Coren-PE