01/11/2022

Evento encerra atividades do Outubro Rosa

Encontro promovido pelo Coren-PE debateu importância da enfermagem nos cuidados com a saúde da mulher.

Importância dos cuidados com a saúde da mulher e a enfermagem obstétrica foram assuntos debatidos no encontro.

Para encerrar as atividades do Outubro Rosa, mês voltado para alertar à população sobre o câncer de mama, o Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) promoveu na última sexta-feira (28), no auditório do Banco do Nordeste, no bairro da Boa Vista, no Recife, o 2º Encontro Pernambucano de Enfermagem em Saúde da Mulher. O evento reuniu dezenas de profissionais que atuam em várias unidades de saúde do estado. Na mesa de abertura, a vice-presidente do Coren-PE, Drª Thaíse Torres, destacou a iniciativa e a importância do evento para debater os assuntos que tiveram como tema central a enfermagem obstétrica. “Uma das políticas dessa gestão é manter a responsabilidade de transmitir a categoria a atualização do conhecimento afim de fortalecer a qualificação dos profissionais”, pontuou.

A mesa foi composta ainda pela Coordenadora do Departamento de Fiscalização (sede) do Coren-PE e das Câmaras Técnicas e Comissões do Conselho, Ivana Andrade, pela Coordenadora Técnica de Enfermagem e Saúde da Mulher, Evelyn Lins, além de representantes das secretarias de saúde de Pernambuco e do Recife. “A saúde da mulher tem recebido destaque dentro da Secretaria Estadual de Saúde. A gente teve, inclusive, um termo de cooperação com o Organização Panamericana da Saúde para qualificação da assistência obstétrica no estado. Estamos desenvolvendo algumas atividades voltadas à melhoria da política estadual e um dos pontos principais é a inclusão da enfermagem obstétricas nesse cenário”, destacou a coordenadora de atenção básica da SES, Aline Carvalho.

Seabra criticou as novas estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde para reduzir a mortalidade materna infantil, como a implantação da Rami.

Já a coordenadora de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde do Recife, Drª Mariana Seabra, criticou a criação da Rede de Atenção Materna Infantil (Rami), uma atualização da Rede Cegonha, que visa reduzir a mortalidade materna infantil no país. Segundo ela, a criação da nova estratégia do Ministério da Saúde não foi debatida de forma adequada e ocorreu sem a participação de profissionais de saúde e de representantes dos movimentos sociais.

“Estou muito feliz em participar desse evento e abordar essa que é uma pauta tão massacrada e quem tem sido alvo de tantos ataques do Governo Federal, inclusive com a retirada da enfermeira obstetra da cena do parto, através da nova Rami. Isso estimula a cesárea desnecessária, a violência obstétrica e tudo aquilo que a gente combatia há muito tempo. O Recife vem na contramão do que o Governo Federal vem fazendo. Nós convocamos quase 100 enfermeiras obstetras para nossos centros de parto normal”, explicou Seabra, que completou, informando que “o Recife é a única capital com quatro centros de parto normal, onde o modelo de atenção é voltado ao cuidado com a saúde da mulher”. Segundo ela, isso é possível graças a sensibilidade e atuação do Coren-PE.

Após a mesa de abertura, o primeiro tema a ser debatido foi o “Registro da especialidade como forma de autonomia e representatividade”. A palestra foi ministrada pela Drª Eline Nóbrega, enfermeira especialista em Auditoria de Sistemas de Saúde e Enfermeira-fiscal do Coren-PE. Em seguida, a enfermeira obstetra, mestre em Saúde Coletiva e doutoranda em Gestão e Economia da Saúde, Drª Juliana Nogueira, abordou o tema “Inserção do DIU por enfermeiros: uma realidade?”. A programação no período da manhã foi concluída com a palestra “Câncer de Mama e de colo do útero: o enfermeiro como gestor do cuidado”, ministrada pela enfermeira Sanitarista e mestre em Saúde Coletiva, Drª Karla Viana.

Os temas voltados à importância do parto humanizado tomaram conta das discussões no período da tarde. A enfermeira obstetra, gestora executiva do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), Drª Benetita Spinelli, apresentou detalhes sobre “Planejamento reprodutivo: Acolhendo as escolhas da mulher”. Em seguida, o papel da enfermagem voltou ao protagonismo com as palestras “A importância da qualificação na assistência pré-natal”, ministrada pela enfermeira sanitarista Drª Flávia Melo, e a “Atuação dos Enfermeiros Obstetras nos CPN’s”, apresentada pela Presidenta da Associação Brasileira de Enfermeiros Obstetras e Obstetrizes na Seccional Pernambuco, Drª Joanna Francyne.

Evento lotou auditório do BNB, no bairro da Boa Vista.

A palestra de encerramento foi ministrada pela enfermeira obstetra da Maternidade Arnaldo Marques, Drª Luiziane Vasconcelos, que trouxe os detalhes sobre “Parto na água: experiência exitosa em uma maternidade pública do Recife”. “O evento foi de extrema importância pois reuniu profissionais de diversas áreas, tanto aqueles que estão na ponta, quanto os gestores, ou seja, profissionais que podem ajudar na articulação para que as políticas de saúde pública para mulheres possam ser efetivadas. Os temas abordados também proporcionaram um espaço de discussão, que vão subsidiar ações propositivas com foco na qualidade da assistência prestada e no protagonismo da enfermagem na saúde da mulher”, avaliou a Coordenadora Técnica de Enfermagem e Saúde da Mulher, Drª Evelyn Lins.

“Foi um dia extremamente importante, onde foram discutidas temáticas envolvendo a saúde da mulher nos diferentes cenários da vida, abordando inclusive assuntos relacionados a Obstetrícia em seus contextos e atuação indispensável da Enfermagem Obstétrica. A nossa Câmara Técnica e o SEL estão de parabéns pela organização e condução do evento, e é importante registrar a participação das representações da política de saúde das mulheres no estado e no município de Recife”, completou a vice-presidente do Coren-PE, Drª Thaíse Torres.


Fonte: Ascom: Coren-PE