25 de fevereiro de 2026

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Pesquisa realizada em Pernambuco comprova a relação de “custo-efetividade” da capacitação de enfermeiros na para ampliar a oferta e inserção de DIU e conquista reconhecimento nacional.

Estudo levou o Prêmio CT&I SUS, uma das principais premiações científicas do país.

Provar, com dados na mão, a necessidade da atuação de profissionais de enfermagem na inserção do DIU, pelo Sistema Único de Saúde, como ferramenta socioeconômica para fortalecer a saúde sexual e reprodutiva. Essa foi a missão da enfermeira e pesquisadora Juliana da Silva Nogueira, de Pernambuco, recém-premiada pelo estudo que pode revolucionar o planejamento reprodutivo no Brasil.

A pesquisa intitulada “Avaliação de custo-efetividade da ampliação da inserção de dispositivos intrauterinos por enfermeiros capacitados em Pernambuco” foi vencedora da categoria Tese de Doutorado da última edição do Prêmio CT&I SUS, realizado em dezembro de 2025, em Brasília. “Na época que comecei a pesquisa, eu estava ofertando cursos de inserção, revisão e retirada de DIU para enfermeiros. Sabia que a iniciativa era custo-efetiva. Mas era necessário demonstrar com métricas econômicas. Esse dado era ausente nas pesquisas realizadas nacionalmente”, explica a enfermeira.

No país, o DIU – contraceptivo de longa duração e gratuito pelo SUS – é pouco usado, com adesão de apenas 2%. Mulheres adultas enfrentam 62% de gravidezes não intencionais, enquanto entre adolescentes o índice sobe para 70%. Esses números alimentam taxas altas de morbimortalidade materna, abortos e custos socioeconômicos elevados, superiores ao de ampliar o acesso ao método.

Experiências internacionais reforçam: expandir o papel dos enfermeiros melhora o acesso à saúde reprodutiva. Seguindo orientação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, Juliana usou modelagem de Markov no software Treeage® Pro Healthcare (2023) para simular cenários sob a ótica do SUS: oferta atual (2%), aumento de 60% e de 100%, em horizonte de três meses.

Os resultados impressionam: elevar a oferta de DIU em 60% por enfermeiros capacitados gera 1,65 QALY (Anos de Vida Ajustados pela Qualidade) ganhos, abaixo do limiar de R$ 40 mil por QALY. Razão de custo-efetividade incremental e benefícios monetários líquidos confirmam a viabilidade, com o modelo se mostrando flexível para análises de curto prazo – e sensibilidades determinística e probabilística validam a robustez da análise.

“Essa expansão promove o uso eficiente de recursos públicos e reduz a taxa de gravidezes indesejadas”, conclui o estudo de Nogueira. A iniciativa pode reorganizar serviços de saúde em Pernambuco e no Brasil, trazendo alívio a mães, adolescentes e aos cofres públicos. “Os resultados dessa avaliação econômica nos dão respostas que importam muito no ponto de vista de planejamento orçamentário e gestão. A demonstração de que o investimento em formação/capacitação de profissionais enfermeiros traz economia financeira e qualidade de vida para a população assistida, apoia a decisão dos Gestores em Saúde em investir mais em qualificação dos profissionais da rede assistencial em saúde”, explica.

Nascida em Maceió, capital de Alagoas, Juliana mora em Pernambuco há 26 anos. Enfermeira obstetra, com mestrado em Saúde Coletiva e doutorado em Gestão e Economia da Saúde (UFPE), ela atua no ambulatório de Saúde da mulher do Hospital das Clínicas e na vice coordenação do Programa de Enfermagem Obstétrica da Escola de Saúde do Recife. Juliana espera que o reconhecimento sirva de incentivo para que cada vez mais outras profissionais se debrucem sobre a importância da enfermagem científica.
“Cursar o doutorado, fazer pesquisa, trabalhar e exercer a maternidade simultaneamente foram o maior desafio. Essa é a realidade de milhares de mulheres, pesquisadoras e trabalhadoras da Saúde no Brasil. Eu torço que essa premiação sirva de incentivo para que outras mulheres que buscam motivação para continuar suas pesquisas no País”, conclui.

Prêmio CT&I SUS – Com o objetivo de reconhecer pesquisas de alta relevância social e aplicação prática no SUS, fortalecendo a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS), o Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS (Prêmio CT&I SUS) retornou em 2025 após sete anos de hiato, graças a uma parceria entre o Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (Decit/Sectics/MS) e o CNPq.

A edição foi dividida em cinco categorias – Tese de Doutorado, Dissertação de Mestrado, Trabalho Publicado em Revista Indexada, Experiências Exitosas do PPSUS e Produtos de Inovação em Saúde –, uma comissão julgadora multidisciplinar selecionou os destaques, além de homenagear um pesquisador de notório saber. A iniciativa visa disseminar evidências científicas, inspirar novos estudos e impulsionar políticas baseadas em dados no SUS. Com ampla visibilidade aos trabalhos premiados, o Prêmio CT&I SUS reforça o compromisso da ciência com a saúde pública brasileira, promovendo inovações que geram impactos reais em vidas e recursos públicos.